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Saúde

O que os sistemas de saúde ainda não compreenderam sobre longevidade e sustentabilidade

10 de April de 2024 · 4 min de leitura

Segundo projeções das Nações Unidas, até 2050 a população mundial com mais de 60 anos deverá ultrapassar os dois mil milhões de pessoas. O aumento da expectativa de vida representa uma das maiores conquistas da humanidade, mas também levanta uma questão urgente: como garantir que viver mais signifique viver melhor? A resposta para este desafio tem mobilizado especialistas em diferentes partes do mundo e inspirado novas abordagens que vão além dos tratamentos tradicionais. Entre as profissionais que se destacam nessa discussão está a médica Ieda Lis Ciolette, cardiologista, geriatra e escritora, que vem defendendo uma visão inovadora sobre o envelhecimento saudável e sustentável.

Reconhecida pela sua atuação em São Paulo, a Dra. Ieda tem dedicado parte da sua carreira a estudar temas relacionados à longevidade, qualidade de vida e aos impactos das práticas ESG, sigla que reúne princípios ambientais, sociais e de governança. Muito antes de o tema ganhar relevância no universo corporativo, ela já chamava atenção para a necessidade de integrar essas questões aos cuidados de saúde e ao planeamento do futuro das populações envelhecidas.

Agora, a especialista leva esta reflexão para a Europa, onde realiza a sua estreia como palestrante internacional. A proposta vai além de discutir doenças associadas ao envelhecimento. O objetivo é provocar uma mudança de perspetiva sobre a forma como a sociedade se prepara para uma realidade cada vez mais longeva.

Na visão da Dra. Ieda, envelhecer com qualidade não depende apenas de consultas médicas, exames ou tratamentos. Trata-se de um processo que envolve fatores ambientais, sociais, emocionais e económicos. A construção de cidades mais inclusivas, o fortalecimento das redes de apoio, o acesso à informação, a promoção da saúde mental e a adoção de hábitos sustentáveis são elementos que influenciam diretamente a forma como as pessoas envelhecem.

Durante as suas apresentações, a médica explora precisamente essa interligação entre sustentabilidade e saúde. A especialista demonstra como práticas ecológicas e socialmente responsáveis podem contribuir para ambientes mais favoráveis ao envelhecimento ativo, promovendo autonomia, bem-estar e participação social.

Outro ponto de destaque da sua abordagem é a defesa de modelos de cuidados mais inclusivos e humanizados. Para ela, a longevidade deve ser acompanhada de propósito, dignidade e qualidade de vida. Questões relacionadas à saúde cognitiva, ao suporte familiar, à socialização e ao impacto da tecnologia tornam-se cada vez mais relevantes à medida que a população envelhece.

A Dra. Ieda também alerta para a importância de envolver diferentes setores da sociedade nesta discussão. Empresas, governos, instituições de saúde e comunidades têm um papel fundamental na construção de soluções capazes de responder aos desafios das próximas décadas. Nesse contexto, os princípios ESG deixam de ser apenas uma agenda corporativa e passam a representar ferramentas concretas para promover saúde, inclusão e sustentabilidade.

A sua participação na Europa representa um marco importante não apenas na sua trajetória profissional, mas também para a disseminação de um tema que ganha relevância global. Ao partilhar a sua experiência clínica e a sua visão estratégica sobre o futuro da longevidade, a Dra. Ieda Lis Ciolette contribui para ampliar uma conversa essencial sobre como queremos envelhecer e qual legado estamos a construir para as próximas gerações.

Num mundo onde viver mais já não é uma exceção, a grande questão passa a ser como transformar esses anos adicionais em vida plena, ativa e significativa. É precisamente nesta reflexão que a médica tem concentrado a sua missão e a razão pela qual a sua voz começa agora a ecoar além das fronteiras brasileiras.