Pela falta de oportunidades no Brasil, Mayara e Wesley decidiram construir uma nova vida em Portugal. Os dois se conheceram ainda na pré-escola, mas o romance só surgiu no final do ensino médio. A criatividade, o bom humor e a cumplicidade fortaleceram a relação, e desde 2011 seguem juntos, compartilhando sonhos pessoais e profissionais.
Mayara, de 31 anos, é formada em Recursos Humanos. Wesley, também com 31 anos, é formado em Logística. Atualmente, ambos têm conquistado espaço no universo da comédia e da produção de conteúdo digital.
Quando decidiram mudar de país e tentar a vida fora do Brasil, quais dificuldades enfrentaram?
Mayara: Vim por influência do Wesley, que estava desanimado com a situação no Brasil. Planejámos a mudança durante um ano inteiro e a maior dificuldade foi juntar o dinheiro necessário para vir para Portugal. Quando chegámos, tivemos também de nos adaptar aos costumes e à nova realidade.
Wesley: Sempre tive vontade de conhecer outro país e melhorar o meu inglês. Conversei com a Mayara e propus que embarcássemos juntos nessa aventura. Ao chegar em Portugal, a maior dificuldade foi o idioma. Percebi rapidamente que nem português eu sabia falar direito, risos.
Como é a carreira na área do humor e quais características são importantes para seguir nesta profissão?
Mayara: Boa pergunta. Descubro-me um pouco mais a cada dia. Ainda enfrento desafios porque estou a construir uma nova identidade artística. A principal característica é ser eu mesma. Hoje sinto que consigo expressar tudo aquilo que sempre quis dizer e ser. Percebo que me tornei uma versão que muitas pessoas gostariam de assumir.
Wesley: Para mim aconteceu de forma natural. Eu já produzia vídeos para o YouTube e muitas pessoas diziam que eu tinha perfil de comediante. Com o tempo percebi que já fazia, intuitivamente, muitas das coisas que um profissional da área faz, sem sequer me dar conta disso.
Quais profissionais da área mais os inspiram?
Mayara: A minha grande referência é Tata Werneck. Admiro a forma natural como ela cria humor, a rapidez de raciocínio e a criatividade. Também gosto muito da influenciadora Larissa Gloor, que vem construindo uma carreira sólida através da autenticidade, simplicidade e persistência.
Wesley: Roberto Gómez Bolaños é uma das minhas maiores inspirações. Ele revolucionou a comédia com personagens como Chaves e Chapolin. Com poucos recursos, criou uma obra que atravessou gerações. Também admiro muito o comediante Rodrigo Marques, que iniciou a sua carreira aqui em Portugal.
Como é ter um companheiro que atua no mesmo segmento?
Mayara: É um processo constante de aprendizagem e crescimento. O Wesley foi a principal inspiração para eu entrar no universo da comédia. Com ele consigo desenvolver ideias e criar novos projetos. Não somos concorrentes. Pelo contrário, tornamos a vida mais leve e divertida.
Wesley: Nunca vi a Mayara como concorrente. Ela é minha parceira e minha maior aliada. Crescemos juntos, revisamos textos, trocamos ideias e ajudamos um ao outro. É uma verdadeira soma.
Como foi participar do Prémio Estrela do Atlântico?
Mayara: Participar de uma premiação foi uma honra. Fiquei muito feliz pela consideração do Igor ao indicar o meu trabalho. Ser reconhecida numa área que amo foi extremamente gratificante. Sou muito grata por essa oportunidade. Talvez pudesse ter divulgado ainda mais a minha participação. Concorrer com o meu noivo também fez parte de uma estratégia para fortalecer as nossas marcas individuais.
Wesley: Fiquei muito feliz pela indicação. O convite surgiu após a minha participação no podcast do Igor. Foi especial concorrer com profissionais que acompanho desde o Brasil. Claro que tinha vontade de vencer, mesmo sabendo que estava ao lado de pessoas com audiências maiores. O segundo lugar trouxe um sentimento de orgulho, mas também a sensação de que poderíamos ter ido ainda mais longe se tivéssemos concorrido juntos.
Como é trabalhar de forma independente?
Mayara: É muito difícil. Mas quando se trata de um sonho, especialmente ligado à arte, a persistência torna-se fundamental.
Wesley: Eu diria que é desafiador. Ainda não é possível viver exclusivamente disso, por isso acabamos por ter uma vida dupla. Uma atividade garante o sustento financeiro e a outra alimenta a realização pessoal.
Quais são os objetivos para o futuro?
Mayara: Pretendo investir mais na área artística, especialmente no teatro e na criação de novos formatos de conteúdo. Quero apresentar os meus trabalhos em plataformas maiores e com uma estrutura cada vez mais profissional.
Wesley: Quero continuar produzindo conteúdo de qualidade e aumentar a frequência das publicações. Também estamos a estruturar um projeto para o YouTube que deverá ser lançado este ano. Além disso, pretendo participar de mais eventos de comédia, testar novos materiais e ampliar a presença em palcos e apresentações ao vivo.
